sexta-feira, 30 julho 2021

Trabalhadores

Boletim O Trabalho

logo_o_trabalhoBoletim O TRABALHO

Proletários de todos os países: uni-vos!
Organização Regional de Leiria do PCP
Lutar vale a pena!

Com o consentimento do Governo, o capital prossegue a destruição do aparelho produtivo da Cristalaria, das Pescas, da Agricultura e Cerâmica, fazendo desaparecer centenas de postos de trabalho com direitos e substituindo-os em muitas empresas pelo trabalho precário e sem direitos.

Sempre com o argumento da crise que eles criaram, degradam os salários, impõem acelerados ritmos de produção E tentam aumentar o tempo de trabalho.
A existência de trabalhadores com salários e subsídios em atraso como são exemplo: a Louçarte; a Pescagest; a Fapor; a Interfer e a Sardinal. O ataque generalizado aos direitos dos trabalhadores, como é exemplo os Molde Gama onde a gerência encerrou abruptamente o refeitório, na Somema e na Somoltec onde há intenção de criar um banco de horas, são elementos vivos de uma acção sem procedentes.
Com o início de novo ano, no qual se assinalam legitimas expectativas do povo português num futuro melhor é tempo de deitar contas à vida.
O conjunto de aumentos de preços de bens essenciais como é exemplos: o pão; a electricidade; com impacto um gravíssimo para a indústria do distrito; os transportes públicos; as portagens e também a entrada em vigor de legislação altamente lesiva dos trabalhadores, como são exemplo a Lei da segurança social e a Lei das finanças locais, confirmam o sabor amargo da política de direita e o seu efeito destruidor das condições de vida de quem vive do seu salário, reforma ou pensão.
A experiência confirma que não há outro caminho que não seja o da luta.
Ao contrário do que o governo e patrões nos querem fazer crer, lutar vale a pena! A luta dos trabalhadores, designadamente: dos trabalhadores da IRMAL, cuja decisão do tribunal lhes deu razão ao considerar que a empresa é viável; dos trabalhadores dos Pereiras que obrigaram os patrões a pagar as indemnizações devidas; os trabalhadores da Sonuma que obrigaram os patrões a pagarem os salários e subsídios em atraso e os trabalhadores da Sardinal que se encontram em luta para receber salários em atraso, são a prova mais recente.
Não há outro caminho!

Editorial

É preciso dizer basta a este governo e a esta política!

O novo ano iniciou-se á pouco mais de um mês, mas fica desde já marcado, pelo prosseguimento do agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo.
Com efeito a subida dos preços de bens essenciais, como o pão, a electricidade, as taxas de juro à habitação, as despesas com a educação, a que se somam o aumento das taxas moderadores na saúde e o pagamento dos internamentos e actos cirúrgicos aliados ao garrote imposto aos salários pelo governo e pelo patronato, constituem uma agravada afronta àqueles que produzindo a riqueza do país se vêem a cada dia que passa confrontados com mais e mais dificuldades para fazer face à vida, enquanto os ricos estão cada vez mais ricos.
Enquanto isto o grande patronato, o governo do PS e o Presidente da República, convergindo estrategicamente na cruzada contra Abril, destroem os serviços públicos encerrando escolas, centros de saúde e SAP’s, ameaçam o encerramento de outros como postos da GNR e da PSP, atacam o poder local limitando a sua capacidade financeira com a nova lei, desconcentram funções que são da Administração Central do Estado como a tentativa de municipalização das escolas do ensino básico, tentam ao fim e ao cabo desmantelar a Administração Pública saída da Revolução do 25 de Abril, reconfigurando assim o Estado e as suas funções de acordo com os interesses dos grupos económicos e financeiros e aceleram o processo de subversão do regime democrático.

É tempo de dizer basta, a este governo e a esta política que tem sempre os mesmos na mira do seu ataque.

É preciso dizer não à flexisegurança cujo objectivo é liberalizar os despedimentos.

É preciso dizer não às tentativas de aumento da jornada de trabalho de 36 horas para 39 horas como acontece com os patrões da Cristalaria.

É preciso exigir melhores salários e emprego com direitos.

É preciso exigir respeito pela nossa dignidade.

A Luta é o caminho

Saudando e valorizando a forte participação dos trabalhadores e populações do distrito no Protesto Geral de dia 12 de Outubro e na Manifestação Nacional e Geral descentralizada que teve lugar na Marinha Grande no dia 25 de Novembro, o PCP apela a que prossigam a luta em defesa dos seus direitos, dos serviços públicos e funções sociais do Estado, contra o encerramento das urgências hospitalares e dos SAP’s, postos da GNR e da PSP, pela melhoria da linha do Oeste, contra o aumento do custo de vida, por melhores salários e pensões.

PCP homenageia os heróicos combatentes do 18 de Janeiro de 1934

No passado mês de Janeiro completaram-se 73 anos sobre o Movimento Operário do 18 de Janeiro 1934.
O que se passou na Marinha Grande há 73 anos é algo que, em termos históricos pode e deve ser caracterizado como o acontecimento desta terra.
A classe operária marinhense, unida e organizada no plano sindical, mas também com os seus principais dirigentes integrados na estrutura do PCP, conseguiram a nível local nessa data histórica, o que seria desejável que tivesse acontecido em todo o país.
As estruturas locais do poder, estiveram efectivamente nas mãos dos revolucionários, não por muito tempo, é certo, mas na realidade e segundo documentos da época chegou a ser constituído o concelho operário de direcção marinhense (o Soviete).
Muitos dos melhores filhos da Marinha Grande foram perseguidos, presos, torturados e desterrados, e assassinados pelo fascismo como aconteceu com : Francisco Cruz, Augusto Costa e António Guerra.
Muito recentemente acabou por falecer aquele que era o último dos sobreviventes desse feito, o nosso camarada João de Sousa (Bacharel), que como muitos outros participantes do 18 de Janeiro militou no PCP até ao fim dos seus dias.
A par das iniciativas promovidas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira/CGTP-IN para assinalar tão importante efeméride, o PCP promoveu uma importante e significativa exposição sobre “ os acontecimentos do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande”, que esteve patente no Centro de Trabalho do PCP.
Esta exposição, que era composta por textos, fotografias, vídeo e outros motivos de interesse histórico, teve um número de visitas que ultrapassou as espectativas.
O 18 de Janeiro de 1934, é e continuará a ser um marco histórico e de referência para a classe operária e para a luta pelo fim da exploração do homem pelo homem.
E é por isso que com toda a convicção afirmamos: “Viva o 18 de Janeiro de 1934”

A Palavra a quem trabalha

Etelvina Rosa
Dirigente do STIV de Leiria
Militante do PCP

A luta pela melhoria das condições de vida na Indústria Vidreira!
O patronato vidreiro, em sede de negociações, tem vindo a tomar posições que visam a contenção, ou seja, a degradação dos salários reais dos trabalhadores.
A Associação Patronal do sector da Cristalaria no processo negocial para 2007 procurou chantagear  com a ideia que face à crise, aumentos salariais para este ano só seriam possíveis com o prolongamento da carga horária semanal para os trabalhadores do forno, de 36 para as 39 horas.
A rejeição peremptória dos trabalhadores a esta posição, foi o factor determinante para que o patronato reformulasse a sua tese, abandonando a imposição do prolongamento da carga horária.
A firme posição dos trabalhadores, demonstrou claramente que o seu posicionamento é determinante para que seja conseguida a melhoria das suas condições de vida.
Por isso o PCP exorta os trabalhadores a não se deixarem enredar pelo canto da Sereia que com tanta frequência o patronato emite, no sentido dos salários cada vez mais baixos, pouco se importando com a degradação de vida de quem trabalha.
O PCP está com os trabalhadores e reafirma que só com a luta organizada se conseguirão melhorar as condições de vida e de trabalho de todos os trabalhadores.

A situação das Pescas

O mar, faz parte da nossa identidade e cultura, é um elemento de ligação privilegiado entre várias regiões do país e deste com a Europa e o resto do mundo.
Entretanto, o quadro geral das pescas portuguesas, fruto da falta de políticas nacionais para o sector e da Política Comum de Pescas, é de uma crise generalizada. A crise atinge hoje, todos os segmentos do sector e tem vindo a acentuar-se nos últimos anos.
O porto da Nazaré é em termos nacionais um porto em valor de pescado médio e o porto de Peniche é o de maior importância no país, em termos de valor de pescado desembarcado e o segundo maior em volume pescado.
No porto de Peniche em 1986, trabalhavam 53 traineiras e mais de 1.150 pescadores. Hoje decorridos 20 anos existem apenas 20 traineiras do cerco e apenas 400 trabalhadores, com tendência para a redução de barcos e homens se se concretizar o abate de embarcações previsto no próximo Plano Estratégico Nacional para as pescas de 2007 a 2013.
Actualmente Peniche tem cerca de 300 barcos no activo e 1300/1400 pescadores matriculados (em 1986 havia cerca de 4.000). Este retrato a é na verdade pouco animador, mas é a realidade que não pode ser escondida.
Tudo isto, fruto das políticas dos sucessivos governos do PS, PSD e CDS/PP e consequência de 20 anos de adesão de Portugal à União Europeia, sem que os interesses da pesca e dos pescadores fossem acautelados.
Por último, no sector das conservas o cenário não é mais animador. Actualmente existem apenas em Peniche 3 fábricas do sector:
A IDAL com cerca de 500 trabalhadores (300 temporários)
A SARDINAL com cerca de 130 trabalhadores (100 precários) e uma situação económica difícil
A RAMIREZ com pouco mais de 20 trabalhadores 
Em Peniche existiam cinco fábricas e o dobro dos trabalhadores.
Por tudo isto, uma coisa é certa, a situação do sector terá de ser alterada recuperando-o para a sua dimensão social e económica que se reconhece Ter.
É essencial melhorar a organização dos pescadores e de todos os que trabalham na pesca.

A Luta é a única alternativa!

 

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